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Desafios para a política de inovação no setor de defesa brasileiro*

Publicado no Blog MAR & DEFESA em 26 de maio de 2022

Imagem: https://www.ezute.org.br/artigo-a-inovacao-e-o-motor-para-a-producao-de-uma-nova-geracao-de-sistemas-de-defesa. Baixada em 25/05/22.


* Sinopse do artigo "Desafios para a política de inovação no setor de defesa brasileiro: óbices e barreiras culturais e estruturais", publicado na Revista da Escola de Guerra Naval, v. 27, n.1, p. 121-160. jan/abr 2021. Os autores são pesquisadores da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME): Carlos Eduardo Franco Azevedo (Doutor), Gabriela Alves de Borba (Doutoranda) e Laércio Eduardo de Araújo (Mestre). O artigo pode ser lido na íntegra em: https://revista.egn.mar.mil.br/index.php/revistadaegn/article/view/1105/809.



A pesquisa teve como objetivo analisar as principais barreiras culturais e estruturais que dificultam as interações e, em consequência, o processo de inovação do setor de Defesa. A motivação de estudar questões culturais e estruturais no setor da Defesa advém da percepção de que os indicadores de inovação utilizados atualmente na área acadêmica transcendem aspectos relacionados com pesquisa, desenvolvimento, proteção, produção e aplicação do conhecimento, os quais complementam a compreensão da essência da inovação e toda a amplitude e complexidade do ambiente propício às inovações.

Do ponto de vista metodológico, o trabalho é resultado de uma base de entrevistas, de pesquisa bibliográfica e de pesquisa documental sobre a cultura de inovação presente nas três Forças Armadas. Os dados foram categorizados e analisados empregando-se o método denominado Análise de Conteúdo. Os resultados apontam sugestões de políticas públicas, de caráter estrutural, educacional e operacional, consolidadas em forma de diretrizes estratégicas, visando contribuir com o incremento de uma cultura organizacional que inspire confiança, espírito de corpo e capacidade de trabalhar em conjunto, aceitando as diferenças. Além disso, vale destacar que a investigação sobre possíveis barreiras estruturais corrobora a percepção de que o Ministério da Defesa deva exercer a coordenação das inovações no setor.


A pesquisa buscou desvelar barreiras culturais e estruturais que dificultam as interações entre os atores do Sistema de Defesa Nacional, causando a fragmentação e desarticulação apontada pela literatura. Adicionalmente, apresenta-se, nestas considerações finais, possíveis ações estratégicas, que visem dinamizar as interações e, com isso, incrementar a cultura de inovação no setor de Defesa. Apesar do estudo contar com participantes de todos os agentes do sistema de inovação de Defesa, manteve-se o foco sobre as Forças Armadas. Contudo, coletar dados de diversas fontes, contribui para a confiabilidade, o rigor e a validade da investigação. Não é tarefa simples fazer a gestão de um sistema complexo, cujos resultados dependem fortemente do fluxo das interações.


A pesquisa demonstrou que há a necessidade do incremento de uma cultura organizacional que inspire confiança, espírito de corpo e capacidade de trabalhar em conjunto, aceitando-se as eventuais diferenças. Nesse sentido, foi fundamental o levantamento das barreiras culturais (valores, interesses, fatores de suporte), que permitiram inferir um pouco mais sobre a dinâmica das interações entre as Forças e de que forma ela pode ser dinamizada. Além disso, a investigação sobre possíveis barreiras estruturais possibilitou verificar que há uma percepção por parte do Ministério da Defesa da necessidade de coordenação das inovações no setor. Entretanto, observou-se também que ainda não há iniciativas concretas que contribuam com a desfragmentação das estruturas de inovações tecnológicas e não tecnológicas (doutrinárias). O estudo dos óbices e barreiras permitiu inferir sobre algumas Diretrizes Estratégicas que, de forma sintética, podem ser categorizadas em educacionais, estruturais e operacionais.


As ações estratégicas educacionais sugeridas visam ao desenvolvimento de atributos (valores, comportamentos atitudinais ou competências comportamentais) indutores das inovações, sem os quais, a dificuldade de interação entre os diversos agentes continuará elevada em função de óbices como: vaidade, ambição, conservadorismo e tantos outros. As ações de caráter estrutural dizem respeito à mudança organizacional no design do Sistema de Inovações da Defesa. Elas deverão induzir maior interação entre as inovações tecnológicas e não tecnológicas entre os sistemas de inovações das Forças (interForças), e desses com os demais agentes do sistema (extra Força). E, por fim, as de caráter operacional, que dizem respeito à forma como as interações e/ou as possibilidades de interações serão operacionalizadas e difundidas. Estas, juntamente com as demais ações propostas, se implementadas, deverão contribuir para o incremento da cultura de inovação do setor, fortalecer a BID e, por conseguinte, ampliar o poder dissuasório do País.

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