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19/08/21- Operações militares no exterior: o que ganhamos com isso? O exemplo da FEB

Atualizado: Ago 23


Durante o Império, o Brasil se viu às voltas com sucessivas guerras decorrentes da defesa de seus próprios interesses, sendo a última a Guerra do Paraguai. Já na República, os conflitos onde o Brasil se envolveu foram decorrentes de pressões políticas das grandes potências, mesmo na II Guerra Mundial, onde navios mercantes nacionais foram torpedeados por submarinos do Eixo. A partir da segunda metade do século XX, as Forças Armadas brasileiras passaram a ser requisitadas para compor - e até comandarem - forças internacionais de paz. A pergunta que fica nesse caso é: o que o País ganha com isso?


O vídeo abaixo, com duração de 19 m, relata a participação do Brasil na II GG. Foi produzido e apresentado pelo canal "Sala de Guerra" em 01/08/21, com o título "A COBRA VAI FUMAR! O batismo de fogo da Força Expedicionária Brasileira". Pode ser assistido na íntegra pelo link https://youtu.be/it4P_sd1w5k.



Apesar de se referir a um evento ocorrido há quase 80 anos, e desenvolvido em um ambiente político-estratégico e tecnológico bastante distinto do atual, cremos que apresenta ensinamentos importantes, dada a dimensão do conflito e o fato de terem sido empregadas as três Forças Armadas: Marinha, Exército e Força Aérea.


Seguem-se abaixo trechos do vídeo onde pode ser verificada a evolução dos ganhos reais das forças brasileiras à época, nos campos organizacional, tático, estratégico e logístico.


PARTE 1 - PRIMEIRA EXPERIÊNCIA: ORGANIZAÇÃO E MOBILIZAÇÃO - Deslocamento do primeiro contingente para a Itália e aquartelamento das tropas / A Força Aérea Brasileira cria a 1a. Esquadrilha de Ligação e Observação, com a missão de apoiar a artilharia divisionária do Exército / Tropas brasileiras assumem funções das tropas francesas, deslocadas da Itália para o sul da França (do início até 04m).


PARTE 2 - ADEQUAÇÃO LOGÍSTICA E OPERACIONAL - Deslocamento das tropas brasileiras para Tarquínia e recebimento de material militar norte-americano / Incorporação da FEB ao 4. Corpo do 5. Exército dos EUA (de 04m até 05m:30s).


PARTE 3 - INÍCIO DAS OPERAÇÕES - Deslocamento da FEB para Vada, a fim de receber treinamento para o combate / Entrada das tropas na linha de frente no formato de uma divisão reduzida, intitulada "Destacamento FEB", sob o comando do General Zenóbio da Costa / "Batismo de fogo": entrada em combate em Massarosa e deslocamento para Camaiore, onde os brasileiros conseguiram sua primeira vitória (de 05m:30s a 08m:45s).


PARTE 4 - SEGUNDO CONTIGENTE É MOBILIZADO - Deslocamento do segundo contingente para a Europa, sob o Comando do General Cordeiro de Farias / Acirramento dos combates: brasileiros forçam a principal linha de defesa alemã ("Linha Gótica"), com a conquista do Monte Prano, as primeiras baixas brasileiras e os primeiros prisioneiros alemães / Avanço até o Vale do Rio Serchio, com tomada de Fornovolasco e Fornaci. A FEB entra na fase do amadurecimento em combate (de 08m:45 a 12m).


PARTE 5 - CHEGADA DO SEGUNDO CONTINGENTE - Recepção do segundo contingente em Nápoles e deslocamento para as proximidades de Livorno / Presença do Ministro do Exército (General Dutra) na Itália para inspeção das tropas e conferência com o Comado Aliado (de 12m a 14m:20s).


PARTE 6 - A CHEGADA À "LINHA GÓTICA" - A FEB ocupa a cidade de Barga, que já havia sido evacuada pelos alemães como estratégia de reorganização das suas tropas/ Alemães se consolidam em Castelnuovo di Garfagnana, importante entroncamento logístico / Ofensiva brasileira e captura de Sommocolonia e Lama di Sotto, como parte da estratégia de ataque a Castelnuovo di Garfagnana / Contra-ataque dos alemães, reforçados por tropas italianas, obrigando os brasileiros a recuarem / Contingente brasileiro que estava em treinamento é antecipadamente enviado à linha de frente para reforças as tropas desgastadas pelo combate / O General Mark Clark decide confiar à FEB a difícil missão de conquistar Monte Castelo, cumprida posteriormente com brilhantismo e eternizada na história militar do Brasil (de 14m:20s até o final).



Considerações finais


O vídeo trata apenas da FEB, não abordando a participação da Marinha do Brasil no conflito. Cabe, no entanto, ressaltar que sua participação em missões de patrulhamento e escolta de comboios no Atlântico Sul gerou, em pouco tempo - com apoio da Marinha dos EUA -, expertise em novas táticas, emprego de sistemas de detecção e de armas modernos, e procedimentos eficazes de controle de avarias. No que tange à Força Aérea Brasileira, é mostrada somente a formação da Esquadrilha de Ligação e Observação, não tratando dos desdobramentos da sua entrada em ação, especialmente no que tange à atuação do 1. Grupo de Caça.


Ao observarmos as consequências da participação das Forças Armadas na II GG e, posteriormente, em outras operações de caráter internacional - Suez, Bósnia, Haiti, Líbano -, podemos concluir que, devido ao fato do Brasil não vivenciar contenciosos próprios, são oportunidades únicas para nossas Forças Armadas adquirirem experiência em situações reais de combate, o que traz para o Brasil melhores condições para estruturar sua Defesa em termos de preparo e emprego. Além dessas participações, geram também dividendos as missões militares no exterior - permanentes ou temporárias -, bem como os exercícios com forças estrangeiras.


Os militares brasileiros que regressaram da Europa em 1945, e as tripulações dos navios que operaram no Atlântico Sul durante o conflito, eram bastante distintas daquela que iniciaram a guerra, carentes de material adequado, e sem saber exatamente as adversidades que teriam pela frente.


Não gostamos nem entendemos muito bem quando as Forças Armadas são empregadas em conflitos que "não são nossos". Entretanto, não podemos ignorar que, independente da natureza deles, existirá sempre um ganho para o País em termos de maturidade em defesa, especialmente no que concerne ao preparo do seu poder militar.


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